História

As APCCs – áreas de proteção ao ciclismo de competição – são um capítulo à parte na história do Triathlon e do Ciclismo em nossa cidade.

Toda atividade envolve riscos e não é diferente com o esporte seja qual for a modalidade. Mas o ciclismo, em especial, sempre chamou a atenção pelas dificuldades de treinamento pelo fato de só ser possível treinar nas ruas e estradas, normalmente abertas ao trânsito, disputando espaço com veículos de todos os tipos. Ao contrário do que muitos pensam, não é possível treinar ciclismo em ciclovias, concebidas para o trânsito regular das bicicletas em velocidades mais baixas, apenas para deslocamento ou lazer.

— O ciclismo sempre foi um gargalo para o desenvolvimento do Triathlon. Muitos pais me perguntavam sobre os locais de treinamento dessa modalidade quando seus filhos demonstravam interesse em sua prática, e ficavam abismados em saber que os atletas normalmente treinam entre 4 e 7 horas da manhã, nas vias normais de circulação – comentou Julio Alfaya, presidente da Federação de Triathlon do Rio de Janeiro.

Com o aumento do número de praticantes e da quantidade de veículos nas ruas, o inevitável começou a acontecer, infelizmente, com mais frequência: os acidentes.

A cada dia tornava-se mais premente uma decisão de gestão pública sobre o assunto até que, com mais uma tragédia, do triatleta Pedro Nikolay em 29 de abril de 2013, a questão ganhou as manchetes e o Poder Público fez contato com a Federação do Rio para que, juntos, se tentasse alguma solução.

Uma reunião no gabinete do Prefeito Eduardo Paes reuniu um seleto grupo de representantes da comunidade ciclística do Rio de Janeiro, que apresentou uma alternativa inicial e imediata, que seria a criação da primeira APCC que funcionaria de segunda a quinta-feira no horário das 4 às 5h30min na região do Parque do Flamengo, que seria totalmente isolada ao trânsito de veículos neste horário.

No dia da inauguração foi uma verdadeira festa às 4 horas da manhã, que por mais surreal que pudesse parecer, reuniu cerca de 200 ciclistas, autoridades, jornalistas e assessorias esportivas. A CET Rio, autoridade de trânsito da cidade, efetuou os devidos bloqueios de maneira impecável e todos puderam desfrutar do que seria um treinamento histórico, com segurança total e em local privilegiado com 4 faixas de rolamento em ambos os lados e de rara beleza plástica com a Baía da Guanabara ao lado e emoldurado pelo Pão de Açúcar e Cristo Redentor.

O passo seguinte

Àquela altura o empresário Raphael Pazos já havia sido escolhido para representar as federações de ciclismo e Triathlon nos assuntos relativos à pratica da modalidade, que mais tarde fez com que as atribuições aumentassem ainda mais, encampando a preocupação com a mobilidade urbana, em especial no tocante às bicicletas e o nome do segmento acabou ficando um tanto quanto pomposo: Comissão de Segurança no Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro, tendo em vista as federações componentes serem de âmbito estadual.

Raphael Pazos e Julio Alfaya chegaram à conclusão de que as APCCs deveriam se tornar em lei, aprovada por vereadores e sancionada pelo prefeito e estudaram uma forma de apresentar a ideia como um Projeto de Lei para votação em plenário. Para isso tiveram a ajuda da vereadora Laura Carneio à qual se aproximaram com a ajuda de Silvia Pontes, sua ex-assessora.

E assim o projeto de lei 248 foi protocolado em 16 de maio de 2013 e começou um período de ansiedade por todos da comunidade ciclística da cidade. Algum tempo depois Laura Carneiro informou que o projeto havia sido aprovado e seguiria para sanção do Prefeito. O clima de euforia se esvaiu quando a mesma Laura Carneiro informou que o Prefeito havia vetado o projeto.

– O rito jurídico para aprovação das Leis é às vezes desanimador, mas temos que perseverar quando estamos convictos de fazer a coisa certa – comentou Raphael Pazos.

Algum tempo mais à frente a vereadora informou que quando o projeto voltou para Assembleia, os vereadores derrubaram o veto do Prefeito e assim havia finalmente se tornado uma lei, a de número 5.719 de 31 de março de 2014.

No bojo do projeto de lei, foi prevista a criação de duas APCCs em cada região administrativa da cidade, e cada uma deveria ter, no mínimo, 4 km de extensão.

-Talvez um pouco de exagero, mas uma forma de se ter uma margem para negociação com a Prefeitura – acrescentou Pazos.

Este foi o começo da história. A partir daí algumas tragédias infelizmente ainda aconteceriam, mas certamente o advento das APCCs, já salvou muitas vidas, possibilitou o ingresso de muitos novos praticantes e movimenta, cada vez mais, o mercado de equipamento de ciclismo (bicicletas, acessórios diversos, vestuário, etc.) e de serviços em geral (assessorias técnicas, lojas de manutenção das bicicletas, etc.).

Além disso, as APCCs serviram de inspiração para movimentos semelhantes em todo o Brasil. Neste mesmo site manteremos um registro das APCCs em funcionamento em todo o país, como forma de disseminar ainda mais a ideia, e oferecendo subsídios jurídicos e incentivo moral para que muitos atletas, autoridades e empresários se envolvam nesta luta pela vida e desenvolvimento esportivo saudável.